Mãe Joaninha, como é conhecida, é uma senhora maravilhosa, de boa memória, interessante, engraçada, cativando a presença de todos que dela se aproximam.
Sempre tem uma história para contar, um comentário a fazer, muito lúcida, faltando-lhe apenas uma boa audição, participa de tudo que acontece à sua volta.
Mesmo abatida pelos anos vividos, não é muito doentia, suas queixas são provenientes da idade. Seus anos vividos trazem alegria para a toda a família; quando nos reunimos em sua casa para trocarmos idéias ela é o centro das atenções, conhece a todos pelo nome, inclusive netos e bisnetos e reclama se demoramos em ir visitá-la.
Temos muito a agradecer a esta vovó que consegue reunir e cativar a presença de todos da família à sua volta. Por isso, pedimos a Deus que lhe conceda saúde, muita vitalidade e alegria de viver por muitos anos ainda.
Neste século de vida queremos relatar sua história de forma breve e significativa, fatos estes contados por ela mesma.
Aos 12 de maio de 1911, numa pequena fazenda no povoado de Caxias, município de Cícero Dantas, nascia a menina Joana, filha mais velha do casal Maria e Sabino, que viviam do cultivo da terra e trabalhando numa olaria a fazer telhas e dona Maria a fazer louças. Mãe Joaninha aprendeu a fazer louça e seus potes eram muito encomendados.
O casal Maria e Sabino mudou-se para Cícero Dantas e Mãe Joaninha já contava com uns nove anos de idade;mais uma vez mudaram-se para a Humildade, município de Pombal e foi aí que enamorou-se do primo Antonio. A jovem Joana casa-se com Antonio na capela de São José, numa noite de Natal.
Desta união tiveram 11 filhos, nove mulheres e dois homens. Sua primeira filha é falecida, pois foi na época da seca do ano de 1932 que tiveram que viajar para Itabaianinha buscando sobreviver a este tempo difícil.
Quando criança, por causa de um alarme falso, passou a noite no meio do mato, debaixo de chuva com medo de lampião. Tinha sido apenas um vizinho bêbado, atirando para cima.
Com todos os filhos resolveram mudar para Pombal vindo residir no Curral Velho, próximo à Boca da Mata; era uma terra boa e lá foram felizes.
Dona Joana sempre batalhadora, seja nos afazeres de casa ou mesmo na roça fazendo farinha, plantando, fazendo louça, indo à fonte com seu pote na cabeça.
A casa estava sempre animada, na época do São João reunia as crianças para a ceia, todas enfeitadas, com uma grande fogueira na porta e a turma a dançar o forró ao ritmo da sanfona e do triângulo. Toda a vizinhança se animava, pois na casa tinha oito moças e dois rapazes, a tia Maria já era casada.
Nos finais de semana recebia os netos em casa que vinham da cidade trazidos pelo marido Antonio na garupa do cavalo.
Durante o período que viveu na fazenda todos os seus filhos casaram-se, restando apenas a “nega” tia Dete, a qual veio residir na cidade em companhia dos pais, venderam assim a fazenda na serra e vieram curtir a velhice junto aos filhos na cidade.
Aos 31 anos de viuvez encontra-se hoje Mão Joaninha, de saúde frágil, mas perseverante e com muita alegria de viver.
Dos 11 filhos criados, quatro filhos já faleceram: Maria de Lourdes, Izabel, Luzia e Finha.
A prosperidade desta família está na sua descendência, na continuidade de vovó Joana e vovô Antônio, em que filhos , netos, bisnetos e tataranetos se espelham e procuram preservar os princípios que receberam de honradez, moral, caráter, de honestidade e de paz, repassando essas qualidades de geração em geração.
Ribeira do Pombal, 12 de maio de 2011.
Ribeira do Pombal, 19 de abril de 2012.
Hoje, ascende um anjo da terra. A menos de 30 dias de completar 101 anos, falece minha Mãe Joaninha, pessoa que me viu nascer... e participou até aqui, de todos fatos da minha vida, que me batizou, que me educou... que deu carinho aos meus filhos, seus bisnetos. Encontre-se com Deus minha Mãe/Avó... Seja feliz na Eternidade onde desejamos encontrá-la!
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